27 novembro 2011

RESUMO CIENTÍFICO: A ESCOLA DOS ANNALES

Olá pessoal, neste Artigo cientifico sobre a Escola dos Annales, que foi me enviado por Vagner de Sabre, Pedagogo formado pela UNEB e Graduando em História pela Universidade de Pernambuco. Um grande parceiro e amigo, espero que vocês gostem e podem fazerem o download deste artigo.
Foto Ilustrativa do Google

RESUMO CIENTÍFICO: A ESCOLA DOS ANNALES

O primeiro capítulo denominado como O Antigo Regime na Historiografia e seus críticos dá início às discussões de autores a respeito da historiografia. Tais discussões são propulsoras ao que se conheceria mais adiante como a Escola de Annales, que foi um movimento historiográfico surgido na França, tendo como elemento principal, a mudança da historiografia tradicional, passando a apresentar novos conhecimentos da história, como por exemplo, o conceito de que o tempo possui um ritmo diferente para cada episódio...


Antes mesmo de aprofundar as discussões sobre a escola dos Annales, é importante mencionar, que foi por volta de meados do século XVII, que escritores começaram a construir o que se podia chamar de história da sociedade. Nesse percurso de mudanças históricas é que surgem historiadores socioculturais, como Edward Gibbon, que por sua vez, integrou a história sociocultural aos acontecimentos políticos.

A disciplina Sociologia também acaba congregando pontos de vista. Augusto Comte e Herbert Spencer apoiaram a história sociocultural, discordando dos escritos biográficos de monarcas e os insignificantes detalhes históricos já compilados.

Lucien Febvre e Marc Bloch, fundadores do movimento dos Annales. Lucien Febvre e Marc Bloch são considerados líderes da Revolução Francesa na historiografia  Mesmo que tratem os problemas da história de modo parecido, possuem comportamentos diferentes, até por que Febvre é especialista do século XVI e Bloch medievalista. 

O segundo capítulo do livro discute sobre os líderes da primeira geração dos Annales: Febvre e Bloch. Uma característica predominante dos estudos de Febvre foi a introdução geográfica, que traçava um nítido perfil dos contornos da região. Tal característica era quase que um rigor na Escola de Annales já na década de 60. Sendo assim, houve também interesse pela geografia histórica, ou seja, o estudo foi tão intenso que permitiu a publicação de um trabalho, desenvolvido a partir da ideia de um antigo professor de Febvre, Vidal de la Blache.

Bloch e Febvre frequentaram a École Normale. Bloch interessou-se pela política contemporânea, mas preferiu aprofundar-se em história medieval, como já mencionado. Assim como Febvre, Bloch também nutria interesse pela geografia histórica. E ainda acreditavam que a história deveria ser construída de maneira interdisciplinar, agregando as aptidões de um arqueólogo, de um paleógrafo ao historiador. 

É importante salientar que Bloch dedicou-se ao método comparativo, estudando as semelhanças e diferenças “das sociedades vizinhas do tempo e do espaço das sociedades distantes entre si, recomendando, porém, que os historiadores praticassem ambas as perspectivas”. (BURK apud BLOCH, 1992, p. 21). Depois da dedicação pelo estudo da história comparativa, Bloch e Febvre decidiram adentrar no campo da psicologia histórica.  

Depois da Primeira Guerra Mundial, Febvre idealizou um projeto de revista internacional destinada à história econômica. Mas os planos de Febvre não foram adiante, já que encontrou grandes dificuldades, sendo então abandonado antes mesmo de se constituir enquanto revista. Tempos depois, Bloch trouxe à tona o projeto de Febvre, mas agora se tratando de uma revista francesa que lideraria intelectualmente nos campos da história social e econômica. A revista foi intitulada de Annales d’ historie économique et sociale e a sua primeira edição publicada em 15 de janeiro de 1929.    

Dentre as obras do estudioso Bloch, destaca-se o segundo livro, La societé féodale que sintetizou mais de quatro séculos, discutindo temas que vão desde a servidão e liberdade à importância do dinheiro, entre outros. O livro permeou entre os séculos 900 a 1300. Outro aspecto de grande importância nessa discussão é a preocupação com a sociedade feudal, abordando os temas memória coletiva, sentido do tempo, etc. 

É importante destacar que os Annales foram convertidos em escola histórica aos poucos. Houve espírito de aventura, ao deparar-se com a interdisciplinaridade, o que acabou gerando outras aparências nesse novo tipo de história, voltada para os problemas.

Voltando a falar sobre a revista Annales d’ historie économique et sociale,  cabe mencionar que após a Segunda Guerra Mundial, Febvre continuou a publicar a revista em seu nome e de Bloch, mas tempos depois somente com o seu. Mais adiante, Febvre passou a contestar a obra Pantagruel de Rabelais. Para ele as ideias ateístas propostas seriam impensáveis em pleno século XVI, e Rabelais, na concepção de Febvre, um cristão “crítico de muitas das formas exteriores da Igreja na baixa Idade Média, mas um crente da religião interior”. (BURK, 1992, p. 28).
                                                                                                                                                                                                                                                                       
Febvre também dedicou parte de seu tempo ao “seu filho intelectual” Braudel. Assim, o terceiro capítulo do livro dedica-se à discussão da “Era de Braudel”. Durante os anos de prisão, no período da Segunda Guerra Mundial, escreveu O Mediterrâneo em cadernos escolares e depois os escritos a Febvre. Essa obra foi dividida em três partes, fazendo abordagens e análises sobre o tempo, a relação do homem com o tempo, a história econômica, social e política e a história dos acontecimentos. 

Braudel ainda utiliza uma linguagem poética dos acontecimentos, comparando os acontecimentos como inquietações pouco profundas. O Mediterrâneo também segue a geografia histórica, ou geo-história, como preferia Braudel.

Também, outra característica predominante no livro é o contraste do Mediterrâneo oriental com o Mediterrâneo ocidental, dominados por turcos e espanhóis respectivamente.
A estatística esteve presente nos temas estudados por Braudel. Os métodos quantitativos utilizados por colegas e discípulos, deram-lhe entusiasmo. A história quantitativa foi por sua vez, desenvolvida nos tempos da era de Braudel, e exerceu forte influência no contexto econômico, pois:

[...] a mais importante, de mais ou menos 1950 até 1970, ou mesmo mais, foi certamente o nascimento da história quantitativa. Esta ‘revolução quantitativa’ como foi chamada, foi primeiramente sentida no campo econômico, particularmente na história dos preços. Da economia espraiou-se para a história social, especialmente para a história populacional. (BURK, 1992, p. 46).

Apresentado como um grande nome da influência na historiografia, Labrousse, foi o orientador de tese que ocupou lugar de grande destaque nos Annales. Também contribuiu para que o marxismo adentrasse no grupo dos Annales. Tratava-se de um marxista.  Da mesma forma, os métodos quantitativos ganharam lugar. Labrousse então foi incentivado pelos economistas Albert Aftalion e François Simiand. Ele ainda atuou supervisionando estudantes pós-graduados. Labrousse professor da Universidade de Sorbone. 

A história da população representou uma grande conquista para a pesquisa quantitativa. O crescimento da população mundial incentivou a história demográfica. Louis Henry foi um dos nomes que se destacou pela pesquisa da população passada. Para isso, o método utilizado foi o da reconstituição familiar. Este método utiliza os registros de casamento, de nascimento e de morte na investigação de lugares. 

Em pouco tempo a história demográfica associou-se a história social. Os estudos regionais por sua vez, composto por estruturas braudelianas, conjuntura de Labrousse e a demografia histórica. Ainda sobre os estudos regionais, existe uma exceção de destaque atribuída às estruturas socioeconômicas. A obra de Emmanuel Le Roy Ladurie consegue em sua obra Les paysans de Languedoc, aventurar-se na história total por mais de duzentos anos. Ele assemelha-se com Braudel quando escreve sobre o “estudo comparativo da história do clima de longa duração”. (BURK, 1992, p. 52).

Le Roy combina uma história quantitativa com uma história política, religiosa e psicológica. Sendo assim, ele foi o único a perceber as falhas no paradigma braudeliano, visto que trabalhou para modificá-lo. 


Por: Vagner de Sabre
Pedagogo formado pela UNEB e Graduando em História pela Universidade de Pernambuco

  REFERÊNCIAS

BURK, Peter. A revolução francesa da historiografia: A escola dos Annales (1929 - 1989). 2. ed. São Paulo: UNESP, 1992, 115 p.

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